domingo, 22 de maio de 2016

O idoso de hoje


Lembro de que ao fazer 15 anos de idade pensava que aos 30 tudo estaria consumado. Ter 30 anos era ser sábia, era ter aprendido tudo e ter a morte certa a poucos passos.
Assim o tempo foi passando.
Certo dia, no consultório de um médico, para fazer exames de rotina para certa academia, vi uma senhora entrar.
Conversamos..
Ela tinha 30 anos de idade e eu 32. Aos 30 anos, aquela senhora era exatamente o meu pensamento passado. Eu aos 32 parecia estar com uns 23 ou 24 anos.
Notei que havia uma diferença de idade no físico e no mental.
Cheguei aos 30 anos com vigor. Ainda estudava, trabalhava ......
Hoje tenho 66 anos. Sinto ainda existe muita vida em mim. Tenho algumas limitações e meu corpo adquiriu uma barriguinha proeminente. Má postura, algumas dores nos músculos e uma rinite alérgica que destrói minha paciência e meus limites.
Não consegui ser tudo que queria ser mas sinceramente, fui muita coisa durante estes anos.
Fiz bastante coisa, amei, namorei, briguei pela vida, sofri bastante.
Desacreditei nas pessoas, tive amigos e amigas, decepções diversas enfrentei.
Vi morrem meu pai, minha mãe, primos e primas mais jovens que eu, amigos e amigas.
Vi meus animais de estimação morrerem..........
Não tive muitas alegrias mas tenho muitas preocupações.
Construi com meu trabalho um caminho que não consegui seguir.
Hoje vivo num lugar que não é meu.... e sou acusada de ter feito coisas que sei que não fiz.
Abandonei tantas coisas para favorecer ao ser a quem dei a luz e continuei o abandono até hoje onde sinto que me desespero pela falta de amor que recebo.
Mesmo assim continuo a trilhar um caminho que não foi aquele que tracei para mim mas continuo.
A saúde está bem, a energia  um pouco mais baixa que antes mas não terminada.
Vejo que a velhice chega mais devagar que antes chegava. A postura dos idosos ficou diferente do que era antes.
Dizem os estudiosos que ficamos velhos mais tarde. Vejo mais cabeças brancas trabalhando por aí. E os jovens estão se aproveitando disto, dos idosos.....
Viver a velhice hoje é diferente demais do ontem.
Saudosismo momentâneo dos dias que estão chegando ao fim.
SolCira
2016

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