quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Lya Luft

Lya Luft

SolCira



Lya Luft
Nascimento = 15set1938 = Rio Grande do Sul = cidade = Santa Cruz do Sul ( colonização alemã )
Formação = pedagogia e letras anglo-germânicas
Início da vida literária = aos 60 anos como tradutora em alemão e inglês
Primeiro livro = Canções de Limiar ( 1964 ) = poesias
outros livros = Flauta Doce = 1972 = poesias
= As Parceiras = 1978 = contos
Teve um acidente automobilístico e entrou para a ficção.
= A asa esquerda do anjo = 1981
Acha que a vida é um sofrimento e ela diz que escreve sobre o que a assombra.
= Exílio = 1987
= O lado fatal = 1989 = poemas
= O rio do meio = 1996 = ficção
= O ponto cego = 1999
= Histórias do tempo = 2000
= Mar de dentro = 2000
= Perdas e ganhos = 2003
E, de Lya Luft chegou às minhas mãos o Livro Perdas e Ganhos que aqui faço um resumo. Ele se encontra neste blog pois fala muito da Terceira Idade e dos sentimentos que estão na cabeça dos idosos.
Questionamentos encontrados em seus debates, grupos e seminários. São coletâneas de questões que apareceram em suas palestras.
" Somos autores de boa parte de nossas escolhas e omissões, audácia e acomodação, nossa esperança e fraternidade ou nossa desconfiança.
O mundo não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui forma, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.
Todo amor tem ou é crise, todo amor exige paciência, bom-humor, tolerância e firmeza em doses sempre incertas.
Mãe não tem que ser amiguinha, tem que ser mãe, tem que ser aquela a quem os filhos, mesmo adultos, sabem que podem recorrer quando tudo falha , até os melhores amigos.
Amor não é servidão.
Naquele momento, naquela circunstância, eu fiz o melhor que podia.
Ter raiva e não rancor é saudável e necessário.
Amor é tarefa complexa, além de tudo porque, para amar, preciso primeiro me amar.
Precisamos superar a idéias de que estamos meramente correndo para o nosso fim, um processo de deterioração e apagamento.
Se não formos demasiado tolos, gostaremos de nossa aparência em todos os estágios.
Para viver qualquer fase com alegria, viver com elegância e vitalidade, é preciso acreditar que vale a pena.
Todos precisamos encontrar uma solução para o inibidor meio da passagem do tempo, que é afinal medo de viver.
Cumprimos muitos deveres. Erramos, porque também isso é preciso, sofremos, porque faz parte.
Passamos a viver mais, nem sempre passamos a viver melhor.
Hoje avós dirigem carro, viajam, jantam fora, namoram, usam computador, são participantes do e no tempo. Mesmo assim, há o repúdio à velhice.
Numa sociedade onde sucesso e felicidade são dinheiro, aparência e sexo, os velhos são descartados.
O tempo tem de ser sempre o meu tempo, para realizar qualquer coisa - ainda que seja mudar de lugar a cadeira ( até a de rodas ) e ver melhor a chuva que cai.
Experimentamos uma constante alternância de ganhos e perdas.
Sofrimento, pobreza, doença, abandono, morte - são ameaças, corpos estranhos numa sociedade cujos lemas parecem ser agitar, curtir, não parar, não pensar, não sofrer.
O luto é necessário.
Aprendemos que há outras formas de amar. Não substituem mas iluminam : amigos, família, interesses, novidades.
Perda da juventude tem a ver com o quanto somos vazios ou o quanto são estreitos nossos horizontes.
A perda do amor levado pela morte é a perda das perdas.
É preciso esperar a ação do tempo.
Escrevo sobre o amor e a vida em todas as formas.
Aprendi que a melhor homenagem que posso fazer a quem se foi, é viver como esta pessoa gostaria que eu vivesse : bem, integralmente, saudavelmente, com alegrias possíveis e projetos até impossíveis.
Enquanto houver lucidez é possível olhar em torno e dentro de nós.
Nestas páginas falei da passagem do tempo que aparentemente tudo leva...falei do tempo que faz nascer e brotar...falei de perdas e ganhos.
Viver, como talvez morrer, é recriar-se a cada momento.
Não é preciso realizar nada de espetacular.
Mas que o mínimo seja o máximo que a gente conseguiu fazer consigo mesmo. "


Comentários
Estas são palavras , as quais anotei deste livro.
Como todos nós, seres humanos ou não, vivemos em perdas e ganhos. Também eu perdi muito mas, acho que ganhei muito também. Perdi amores, ganhei lutas. Será que ganhei experiências ???? Não , pois cada perda é vista de um ângulo diferente, vivida em épocas diferentes e, sabe, somos pessoas diferentes a cada segundo.
Por longos tempos achei que ter 30 anos de idade era uma coisa incrível, que tudo já estaria ali aprendido, que a vida ali estaria acabada pois a morte estaria bem ali ao lado.
Quando, ao fazer estágio numa escola municipal; estágio obrigatório a todas normalistas, deparei com meu primeiro encontro com a vida. Estive numa sala de aula, onde a professora me pareceu fabuloso, sábia. Quando soube que ela estava formada a 10 anos, achei então que ela era mais incrível ainda, que sabia tudo sobre educação. Indaguei isto com ele. Sua resposta me desconcertou : Não, eu não sei nada, ainda estou aprendendo, tenho muito a aprender. E, sabe??, exerci minha profissão por 25 anos e de certa maneira ainda a exerço mesmo estando aposentada e, escuto a voz da professora sábia, sempre em meus ouvidos. Sei hoje que o conhecimento é algo vivo, não é estagnado e há sempre algo mais a aprender, ninguém domina tudo, ou todo assunto, sempre se tem algo a recomeçar. Hoje, já passei dos 30 anos, tenho hoje 61 anos e 62 no mês que vem. E, estou ainda aprendendo muita coisa, muita coisa mesmo.
SolCira
2011


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